Porto (via Môre)
Tag Porto: o desenho de verdade está nos fluxos alternativos
A tag de pedágio e estacionamento da Porto, em parceria com a ConectCar, virou funil do cartão de crédito. Desenhar o fluxo principal era fácil. O trabalho foi dar um caminho digno a cada saída dele.
- Papel
- Product Designer sênior, squad Bens
- Período
- 2023
- Setor
- Seguros e serviços financeiros

Dores
- A meta era vender o cartão, e o fluxo da tag virou funil do cartão. A pessoa queria uma tag, não um cartão.
- Uma regra antiga só liberava o cartão para quem tinha seguro auto: quase ninguém era elegível.
- Para quem não era elegível, o fluxo simplesmente parava.
- No fluxo inverso, o cartão podia oferecer a tag a quem já tinha uma.
Discovery
- 01Mapa dos perfisCliente do cartão, pré-aprovado e não elegível, cada um com sua saída.
- 02FluxogramaTodos os caminhos de pedido e ativação num só mapa, incluindo as saídas do fluxo principal.
- 03Fonte de dadosSem API para saber quem tinha tag, a resposta veio da fábrica que produz e envia as tags.
Jornada
- 01Página da tagBenefícios e o botão Peça sua tag.
- 02Checa CPFDefine o caminho certo para cada perfil.
- 03OfertaTag com cartão pré-aprovado e 12 meses de anuidade grátis.
- 04FormulárioSete passos, do cadastro à configuração do cartão.
- 05ConfirmaçãoResumo do pedido e ativação do cartão virtual no app.
- 06AtivaçãoCorreio ou retirada, e o app Porto conclui.
O que mudou
- Não elegível ganhou caminho: tag pré-paga na ConectCar, com a identidade da Porto.
- As regras do cartão foram relaxadas e o funil deixou de ser ficção.
- Quem já tinha tag deixou de receber oferta repetida.
- Componente de consentimento LGPD com opt-in e opt-out.
Contexto
Na Porto, fui o ponto focal do checkout do Hub de Vendas, o ecossistema que unificou mais de 80 produtos e serviços que antes viviam em fluxos separados. Todos os times de produto precisavam se adaptar às regras que criávamos para entrar no hub.
A Tag Porto, a tag de pedágio e estacionamento feita em parceria com a ConectCar, era responsabilidade minha.
O problema
A meta de negócio era vender o cartão de crédito Porto. Tão forte que o fluxo principal da tag virou funil do cartão: quem era elegível levava a tag junto com o cartão. Eu achava forçado. A pessoa queria uma tag, não um cartão.
Mas o problema de verdade começava quando o fluxo principal falhava, e ele falhava quase sempre. Uma regra antiga só liberava o cartão para quem já tinha seguro auto, então quase ninguém era elegível. Para quem não era, o fluxo simplesmente parava: cliente interessado, de mãos vazias.
E havia o caso espelho, no fluxo inverso: o cliente do cartão podia incluir uma tag na contratação, sem sabermos quem já era cliente da tag. O risco era oferecer a tag a quem já tinha uma.
As decisões
Não elegível? Ninguém sai de mãos vazias. A parceria com a ConectCar permitia algo melhor que um "não pode": levar o cliente, sem fricção, para uma página da ConectCar com a identidade visual da Porto, onde ele comprava uma tag pré-paga, sem depender de cartão de crédito. A saída virou caminho, não porta fechada.
Elegibilidade impossível? Mudar a regra em vez de aceitar um funil fictício. Insistimos com a direção para relaxar as regras do cartão: se quase ninguém passava, o funil inteiro era ficção. As regras foram relaxadas.
Já é cliente? Saber antes de oferecer. Para saber quem já tinha tag, a resposta padrão era "não tem API". Propus consultar quem certamente sabia: a fábrica que produz e envia as tags aos clientes. Depois de muita discussão, a ponte foi aprovada e funcionou.
Pedido e ativação
A partir da mesma página de produto, o pedido segue três caminhos: cliente do cartão, elegível ao cartão e não elegível. Quem é elegível vê a oferta do cartão com a tag e segue um formulário em sete passos, de dados pessoais à configuração do cartão, sempre mostrando onde está e qual é o próximo passo.
A ativação começa por identificar como a tag chegou, pelo correio ou retirada, e checa o CPF. Cliente, pré-aprovado e CPF não encontrado têm saídas próprias, inclusive a ativação dentro do app Porto. O consentimento de privacidade (LGPD) ganhou um componente próprio de opt-in e opt-out.
Resultado
Cada final alternativo do fluxo passou a ter resposta desenhada: quem não era elegível ganhou o caminho pré-pago, a elegibilidade deixou de ser ficção e quem já tinha tag deixou de receber oferta repetida. Nenhuma solução dependia de tecnologia nova. Todas dependiam de recusar o "não dá".
O aprendizado que ficou: o fluxo principal é a metade fácil do desenho. Produto de verdade é o que acontece quando as coisas não saem como o planejado.
Quer algo parecido?
Conte o problema. A alema.io responde com um caminho, não com um orçamento genérico.